terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

Julgo.Julgam-me.
Por actos e cobardias que me preenchem.
Palavras ditas e silêncios feitos de mim e para mim.
Aceites e escomungados os meus pensamentos.
Nunca publicos, mais muitos descobertos.
Por um franzir, por um sorriso.
E as vezes também por nada.
Nadas que são tudo e de tudo são perfeitos.
São tudo o que transmito e consumo.
Tudo o que penso e não digo.
Tudo o que digo sem pensar.
Consumo o consumível.
Devoro o proibido.
Já corri riscos. Riscos que prometi nunca cometer.
E ainda assim cometidos.
Arrependimentos, rezo para não os ter.
E julgo quem tentar que os tenha.
Arrependimentos são veneno.
Veneno criado e consumido por nós, humanos.
Assim renego...
Renego a capacidade de pensar.
A injustiça de me culpar.
A vergonha de me desculpar.
Desculpar, por momentos de felicidade.
Pela sensação de imortalidade.
Pela falsa e cruel sensação de normalidade.
Julguem-me por crueldades cometidas.
Pelo esquecimento de pessoas queridas.
E talvez pelo egocentrismo de momentos de sonho.
Sonhos que me trazem a distância.
Falsa distância que me permitiu respirar.
A oportunidade de deixar de pensar.
Oportunidades que jamais irei esquecer.
Por mais que seja o tempo que viver.
Amo todos os que sabem que os amo.
Amo os os que sabem que os odeio e não suporto.
E por estas certezas me guio.
Quem sabe, se por isto me guiar.
Não volto a arriscar.
E com sorte "Não volto a voltar".

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