Julgo.Julgam-me.
Por actos e cobardias que me preenchem.
Palavras ditas e silêncios feitos de mim e para mim.
Aceites e escomungados os meus pensamentos.
Nunca publicos, mais muitos descobertos.
Por um franzir, por um sorriso.
E as vezes também por nada.
Nadas que são tudo e de tudo são perfeitos.
São tudo o que transmito e consumo.
Tudo o que penso e não digo.
Tudo o que digo sem pensar.
Consumo o consumível.
Devoro o proibido.
Já corri riscos. Riscos que prometi nunca cometer.
E ainda assim cometidos.
Arrependimentos, rezo para não os ter.
E julgo quem tentar que os tenha.
Arrependimentos são veneno.
Veneno criado e consumido por nós, humanos.
Assim renego...
Renego a capacidade de pensar.
A injustiça de me culpar.
A vergonha de me desculpar.
Desculpar, por momentos de felicidade.
Pela sensação de imortalidade.
Pela falsa e cruel sensação de normalidade.
Julguem-me por crueldades cometidas.
Pelo esquecimento de pessoas queridas.
E talvez pelo egocentrismo de momentos de sonho.
Sonhos que me trazem a distância.
Falsa distância que me permitiu respirar.
A oportunidade de deixar de pensar.
Oportunidades que jamais irei esquecer.
Por mais que seja o tempo que viver.
Amo todos os que sabem que os amo.
Amo os os que sabem que os odeio e não suporto.
E por estas certezas me guio.
Quem sabe, se por isto me guiar.
Não volto a arriscar.
E com sorte "Não volto a voltar".
terça-feira, 23 de fevereiro de 2010
segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

Convenci-me de contos de fadas e de arco íris coloridos.
Viajei com dragões e pégasos.
Derrotei bruxas malvadas.
Usei lindos vestidos e cantei sobre amor e criaturas mágicas.
Viajei com dragões e pégasos.
Derrotei bruxas malvadas.
Usei lindos vestidos e cantei sobre amor e criaturas mágicas.
Completei Reinos e concretizei profecias antigas.
Um som silencioso despertou-me e voltei a mim.
Já não tinha vestidos porque na realidade nunca os tive.
Os dragões e pégasos eram imaginação de uma realidade antiga.
As bruxas malvadas sempre cá estiveram e sempre fizeram parte de mim.
Descobri que não existem profecias, apenas o destino incerto. E que o conto de fadas não é perfeito, apenas me completa e não acaba hoje.
Nada é eterno nem mesmo os arco íris , que podem tomar a cor que quizermos (o meu perdeu a tua e não deixou de ser o meu lindo arco-íris).
Subitamente não canto sobre amor- vivo-o.
Recuso-me a seguir regras de pricipes e princesas, e a cumprir profecias que apenas existem em contos da Disney.
quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010
"Sou uma pessoa de extremos. Não encontro o balanço. Acho que nem sequer por ele passo.
Num momento amo.
Como posso odiar.
Tanto vivo a verdade, como parece que ela nunca existiu.
Abraço e beijo toda a gente, como desejo que toda a gente desaparecesse.
Sou duas pessoas que vivem num só corpo.
Hoje foi um daqueles dias pelos quais temo sempre passar. Hoje fui relutantemente impiedosa com todas as pessoas. Principalmente com as erradas.
As prioridades hoje foram trocadas. Um erro que insistentemente cometo.
Hoje esqueci-me das novas responsabilidades e 'vivi' com a antiga normalidade. Mas mais uma vez a teia cheia de nós em que tudo se tornou, voltou a agarrar-me. Eis que fiquei presa outra vez.
Farto-me dos meus lamentos, assim como tenho a noção de que os outros se fartam deles. Mas acho que já me lamento inconscientemente.
Não gostaria de me habituar a isto. O meu maior receio é já o ter feito e não coseguir sair daqui."
Ontem enquanto escrevia este texto sentia-me uma pessoa trivial, que algures tinha perdido tudo aquilo que a fazia erguer-se.
Hoje. Agora... se me perguntarem, não sei.
Não me sinto vulgar, nem importante. Não me sinto especialmente mais bonita nem definitivamente feia.
Levantei-me com algum propósito previamente planeado?... Não. Levantei-me porque nao tinha sono e me recusei a ficar na cama enrolada em mantas quentes.
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